Brincando com a Lua

                O presente projeto se baseia em uma infância compartilhada. Uma lembrança.


    Quando eu tinha 12 anos, com grandes dificuldades de socializar e fazer amigos, sem saber o quê fazer comigo mesma, nos intervalos da escola, em casa, na rua... Eu fiz o quê qualquer criança da minha idade faria. Eu busquei essa falta nas redes sociais.  

    Foi na internet desenfreada e sem limitações (tanto dela, por si só, quanto dos meus pais), que eu conheci uma plataforma chamada G+ (Google Plus), há muitos anos enterrada nos confins das redes sociais e da memórias de quem viveu neste tempo. Semelhante a versão antiga do Facebook, exceto que muito mais preenchida por crianças, pré-adolescentes e alguns pedófilos, a plataforma se organizava por meio de comunidades e grupos, geralmente geridos em conjunto com o Hangout, e era voltada para a socialização amigável. Lembro-me bem, que qualquer frase com palavrão era deletada e o usuário poderia ser banido, haha. É claro que nós dávamos um jeitinho.

Foi nesse que eu encontrei a minha primeira amiga. 

    Uma mocinha da mesma idade que eu, de São Paulo. Muito longe da minha cidade no Paraná, e ainda mais quando ela se mudou para a Paraíba. Não direi aqui sobre o quê conversávamos e qual foi o interesse em comum que nos fez aproximar, mas direi onde isso levou: um pequeno canal desconhecido no YouTube chamado '"Eletronic Desire - EDGE". Não, não era nosso, era apenas um rapazinho paulista de 16-17 anos que gostava de jogar videogame, normalmente de terror, e principalmente os amados jogos MMORPG 2D 8bits. Nós duas crescemos com ele. Ele envelhecia, nós também. Ele jogava, nós assistíamos. Continuamos assim até hoje, mesmo quando ele deixou de ser o Edge, para continuar seu canal e lives como Alanzoka. 

    

    A grande questão dessa longa convivência foram os jogos 2D. Foi o quê nos levou a conhecer ele. Mesmo que hoje ele já não se interesse mais, eu permaneci a mesma dos 12 anos, completamente fissurada por eles. Lembro-me da primeira vez que joguei Wadanohara e o Grande Mar Azul, e conheci a empresa de jogos Funamusea, que também ainda acompanho. Lembro-me de Mogeko Castle, que me fez ver Castlevania: Symphony of the Night com outros olhos, por ambas serem dinâmicas de exploração de um castelo, e apesar de uma não ter nada a ver com a outra, não pude deixar de relacioná-las e amá-las mais ainda. 

    Mas um dos jogos que me mudou, foi To the Moon. 


    A narrativa cativante, os gráficos de qualidades, as músicas, os diálogos, tudo, tudo, absolutamente tudo. Ah, e é claro, ver o Alan chorar junto comigo, quando chegamos ao fim da história. É o que eu mais lembro, do Alan chorando. 


    Os anos se passaram, e apesar de eu lembrar do jogo, tinha deixado-o para trás, pois eu já não tinha mais tempo para videogames. Jogava às vezes, aqui e ali, durante as férias, quando a vida me dava uma folga, mas no geral, eu muito mais assistia o Alanzoka do que jogava por mim mesma. 

    Contudo, neste semestre, por puro acaso eu conheci um rapaz. Este rapaz, descobri, que também tinha crescido com as mesmas referências que eu e minha amiga. Os jogos 2D, Alanzoka, G+, pois, como foi que nós não nos conhecemos antes?

    Nisto, acabei lembrando de To the Moon, e decidi baixar no meu tablet para jogar de novo, pois já não me lembrava muito bem como ia a história, por quê este jogo, e não outro, que tive vontade de jogar. E então comentei com ele, quando já estava na metade da narrativa. Revelou-me ele então:


"Nossa, nós estamos fazendo uma montagem desse jogo!"

...

    Nós, quem? 

    

    No dia de sua colação, conheci Julia Rehder. Novamente, as mesmas referências de infância, exceto que nela havia paixão o suficiente para se agarrar tanto à elas, a ponto de fazer a montagem de uma peça baseado em 'To the Moon'. Fui contratada como produtora. 

    Entrando na equipe, percebi os aspectos que Rehder precisava da minha ajuda, mas fiquei especificamente facinada com sua ideia de querer projetar pelo espaço. Não havia nada montado, apenas a vontade, e eu lhe perguntei se poderia ficar responsável por essa parte, a qual ela alegremente concordou. 


    Sendo assim, agora, vamos para a Lua.

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